terça-feira, 3 de novembro de 2009

Jorge Palma - Valsa de um Homem Carente



Se alguma vez te parecer
Ouvir coisas sem sentido
Não ligues sou eu a dizer
Que quero ficar contigo
E apenas obedeço
Com as artes que conheço
Ao principio activo que rege desde o começo
E mantêm o mundo vivo

Se alguma vez me vires fazer
Figuras teatrais
Dignas de um palhaço pobre
Sou eu a dançar a mais nobre
Das danças nupciais
E em minhas plumas cardeais
Em todo o meu esplendou
Sou eu, sou eu nem mais
A suplicar o teu amor

É a dança mais pungente
Mão atrás e outra à frente
Valsa de um homem carente

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

sábado, 22 de agosto de 2009

A Teresa

"Tinha o cabelo castanho, com um ou outro reflexo dourado, dum louro veneziano; a tez levemente morena, o olhar franco, verde, como certos limos do mar, verde e profundo, nariz muito bem moldado, lábios finos, de subtil desenho, o rosto oval e a expressão carinhosa. Tinha dos antepasados a segurança no andar e orgulho no porte, que a distância afirmavam sua vetusta linhagem."
Joaquim Paço d'Arcos, in Ana Paula, pág.45

sábado, 15 de agosto de 2009

Ágape - Amor não Correspondido


Quero-te como tu me quiseres.
Minto: quero-te muito mais que isso.
Mas, por isso,
Quero-te como tu me quiseres.

(Lady with a parasol, Claude Monet)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Desabafos de Amor

Há dias como este, em que parece que fomos feitos para estar em qualquer outro lugar que não aquele onde estamos no presente. Sentimos falta de amigos e consequentemente de compreensão. Trabalhamos, esforçamos-nos, tentamos evitar o desalento na esperança de que a seguir é que vai ser.

Sentimos-nos pequenas casa de 2 andares no meio de arranha-céus. Casas de madeira no meio das florestas de betão. Somos diferentes. Melhores ou piores não sei, mas sentimos falta de uma casa, de um sitio onde possa dizer eu verdadeiramente, e onde me acolham.

Olho em redor e só vejo sombras. No meio delas está o teu rosto distraído. Quero-te e desejo-te mais do que a comida quer ao sal, mas tu não olhas para mim. Eu, casa de madeira no centro da cidade.

Porque me haverias tu de olhar? Por muito que os prédios que me rodeiam sejam de uma arquitectura horrorosa, o telhado tenha buracos, os vizinhos vendam droga, e as vizinhas bisbilhoteiras, tu abdicas deste espaço que eu contenho, e que satisfaz todas as tuas necessidades. Sim satisfaço as tuas necessidades, porque eu serei sempre aquilo que queres que seja. Porque se ficares comigo ficarei para sempre contigo, porque me darei a ti. A cozinha poderá ser no segundo piso, ou quem sabe no jardim. A casa de banho no telhado, e a sala no quarto. Faz de mim o que quiseres, porque no dia em que me escolheres, serei teu, porque o amor é isso mesmo: uma doação total de mim mesmo.

- Entristeço-me. Olho em roda e já não te vejo. Fugiste de mim? Tive culpa?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Assim de repente já deitado lembrei-me como...

É bom sair com uma mulher bonita e bem arranjada.
Faz-nos sentir ricos e merecedores de tal beleza, só porque ela se arranjou para nós...

Palavras de Amor (ou falta dele)

O que eu gostava de te ouvir dizeres-me ?
-No one can love me the way that you do

E o que eu não consigo dizer-te?
- Duas coisas: primeiro não consigo dizer-te o que eu gostava de te ouvir dizeres-me; e segundo não consigo dizer que por causa disso me apetecia gritar-te
Girl you see me smiling
Girl I'm singing words of joy to the world
Between the lines it's hidden in the smile
Can't you hear a cry for love

terça-feira, 11 de agosto de 2009

D. Teresa

Não confirmo nem desminto - sou eu a escrever o que sinto - mas acho-o inegável.
D. Teresa estava hoje uma beleza!
Era irrenunciável.
- Direi mesmo mais, era impagável!

(mas isto são coisas que te digo só a ti, minha amarelada folha de papel)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Espinafres e Desilusões



Aceitar as desilusões pode não ajudar a comer espinafres, mas garanto-vos que come-los ajuda a aceitar melhor as desilusões.

Dir-me-á o leitor que sou só estúpido, quando escrevo tamanha patacoada. Mas não me leve a mal a observação. Vêm ela a propósito da conversa que tive no outro dia com um padre meu amigo, que me dizia que hoje andamos sempre presos aos nossos gostos, tornando-nos escravos deles.
É verdade. Só fazemos o que queremos, só comemos o que queremos, etc, quando a mais não somos obrigados, claro está.
Mas a verdade é que na vida, nem tudo é como nós queremos. E muitas vezes, como não controlamos tudo, acabamos envolvidos em longas e dolorosas depressões cujo o único motivo é a nossa impossibilidade de fugir ás desilusões.

Por isso, permitir-me-á o leitor que faça estas afirmações em jeito de conselho para as criancinhas: meninos, comam mas é a sopa e a verdura, que apesar de não saber bem, faz falta, e habitua-vos a que nem tudo na vida sabe a guloseimas ou é como queremos. E servem os sacrifícios actuais de treino para os desenganos futuros. Pois como escrevia Joaquim Paço d'Arcos, «foi dolorosa esta queda, mas tanta coisa já me havia sido dolorosa, já me habituara a sofrer».

Tenho dito.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Valores... Por onde andam?

«Os valores são o eixo da roda. A roda anda, passa por mudanças, e o eixo acompanha a roda, mas não anda.»
Adriano Moreira

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Só (Notas)


Estou condenado a subir a calçada,
Sem nenhum nome inscrito no meu coração.
Na solidão,
Ninguém subirá a sua rua com o meu nome.

Estou condenado a subir a calçada,
Na solidão,
Sem nenhum nome inscrito no meu coração.
E, ninguém há,
Que a sua rua subirá
Com o meu nome.

Estou condenado a caminhar até casa
Na solidão,
Sem nenhum nome no meu coração.
E ninguém há,
Que à sua rua levará
A passear o meu nome.

(Só no parque, de Apoloniusz Kedzierski)

terça-feira, 23 de junho de 2009

Aujourd'hui

Esqueci-me de te dizer aujourd'hui
que te amava;
que ao meu coração bastava
um sim, pronunciado por ti.

Mas não será por ironia
que o meu coração bate só.
Antes apenas diria
que é minha sina - e tenho dó;

Dó de mim, de meu amor,
do coração
e quiçá, da dor.
Mas digo não.

Sim, eu conseguirei deixar a solidão,
através de linhas,
que como espinhas,
ferem o meu coração.

Palavras que me vêm da alma,
Que magoam mais que consolam,
Porque a realidade assolam
e me levam a calma;

E nelas era a calma
a única coisa que buscava,
Na crença de que isso acalmava
A minha alma.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Como doi a nossa dor

Quem me deixou aqui?
Perdido na sombra que sou e criei.
O amor, como tudo, é um acto de vontade. E quando nos omitimos de o fazer, ficamos sós, desesperados, perdidos. Mandamos fora a esperança. E parece que tudo foge, tudo acaba, tudo se perde, desaparece, e fica uma dor. Tudo parece desfeito e nada há que cumpra a promessa que alimentava o nosso coração, e o deixou frustrar-se.

Pergunto-me se fui feito para amar, e reparo que só se me apresenta uma e constantemente a mesma resposta. Fui eu que provoquei esta negação. Foi a minha omissão, a minha incapacidade de agir de acordo com a vontade. Naquele momento escolhi cumprir a vontade que não era a vontade do meu coração. Porque tudo o que fazemos nasce de uma vontade. Tudo são escolhas. Escolhas que nós fazemos, na ânsia de sermos felizes. Sim, porque achamos verdadeiramente que aquilo nos fará mais felizes. E por vezes parece tão óbvio o nosso erro. Parece tão fácil fugir-lhe. São as nossas próprias falhas mentais que nos causam dor...

Vejo os teus olhos verdes. E lembro-me da esperança que me traziam.
Mas hoje não sei onde ela está. Já não a vejo. Sinto que a perdi, porque te perdi, porque errei, porque caí.
Não sei se te deixe ou se te magoe. Se fuja ou se finja que nada aconteceu. Sinto um misto de sentimentos entre culpa e vitimização, porque me parece que te deixei fugir-me mas também porque nunca te tive. A dor vai enublando a minha razão e corroendo o meu coração.
Pergunto-me se me compreenderás.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Homenagem ao Feminismo

Não sei se é uma tese totalizante, aquela que diz que nós homens "construímos arranha-céus e voamos até à lua só para vos levar para a cama" a vocês mulheres deste mundo, mas a verdade é que são vocês o nosso elemento civilizador, motivador, inspirador etc.
Vocês são aquelas que nos mudam, transformam, elevam; habitam eternamente num patamar superior ao nosso, dos homens. E com todos os vossos defeitos, aqueles que criticamos mas adoramos, ou no minimo, não passamos sem, tendem a fazer-nos chegar a patamares nunca antes alcançados, aos pincaros do desejado, a superar-nos continuamente, a rivalizarmos uns com os outros numa guerra de criatividade, só para vos impressionar, comover, fazer rir, ou no minimo, olhar para nós.

E durante algum tempo achei tal tese ridícula. Achei loucura, ou coisa de homem submisso. Mas depois as evidências eram contínuas.

Lia o Eça de Queirós, e lá estava o desgraçado do Macário que abandonara a sua vida confortável por ti mulher, ou o Korriskosso que na escuridão se escondia a mirá-la.
Ouvi o João Pereira Coutinho constatar que se "Deus teria deixado em paz a costela de Adão, nós jamais teriamos saído das cavernas, jamais teria havido
vontade de melhorar, de refinar".
Vi o Van Gogh sem orelha.
Vo o Joseph Roth parar de beber pela sua Freidl.
Vi o Esmond Haddock enfrentar as tias.
O Jack London a gritar que haviam de ser a mulheres a enterrar John Barleycorn.
Vi o meu pai ir às compras escolher uma coisa e levar outra.
Vi poetas sem fim sofrerem por vós mulheres, e jogarem tudo o que tinham de melhor para só para que de vocês saisse uma reacção que fosse.
Vi homens chorando, quais crianças, gritando, implorando, saindo nus para a rua, no meio de tempestades e trovões, a gritar por mulheres que haviam despedaçado, trespassado, perfurado, esmagado os seus corações, a sua honra e os seus sentimentos mais nobres.
E vi-me a mim, quando olhei hoje para o espelho, e constatei no que tu mulher me havias trasformado. Por tua causa tinha entregue a minha aparência nas mãos daquele homem de tesoura e navalha em punho, a cada golpe que disferia com tais armas, acabaria por me dar um ar mais... civilizado. Hoje estou aqui, impecávelmente barbeado e de cabelo cortado. E até gosto do que vejo. E bastara uma palavra tua a dizer "cuida-te, tens que cortar e cabelo e fazer a barba, que se não ficas com mau aspecto", para eu me dirigir à barbearia mais próxima, e entregar a minha barba, bela e inofensiva, que meses levara a construir, à lâmina daquela navalha mal afiada, manejada por um desconhecido, cujo nome era Costa.
E devo dizer que o after-shave ardia que se farta. Mas valia a pena... ou não seria ideia tua.

Ok, não vale tentarem parar-me agora só porque já ouviram isto... Mas é Fantástico!

Dostoiévski - O Sonho de Um Homem Ridículo

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Epopeia

Cá no meu País,
O amor é vivido intensamente,
Não como em Paris
Onde o amor é coisa feliz,
Mas sim de forma doente.

Aqui o amor é entrega,
É romance, é paixão.
É Garrett, é Camões,
É um amor de corações,
Aqui o Amor é de perdição.

Aqui o amor é sufoco,
É tristeza é devastação.
É a razão de cada dia,
É a mais alta euforia,
Aqui o amor é desilusão.

Aqui o amor é excitação,
É fogo, é sofrimento.
Faz parte do nosso ser,
Aqui o amor é querer,
Aqui o amor não é mero sentimento.

Aqui o amor é tragédia,
É luta, é inferno.
É Pedro e Inês,
É tal como Deus o fez,
Aqui o amor é eterno.

E eu nunca visitei o teu lugar,
Nem sei como é sitio tal,
Mas desconfio,
Que mesmo ao pé do rio,
Aí não se ama como em Portugal.

Escrito a 24/10/2006

A Longa Espera

Há sempre alguém desencontrado.
Há sempre alguém atrasado
Num encontro,
Mesmo quando se trata
De um grande Amor.

Há sempre alguém que falta à hora combinada.
Que deixa outra desesperada
Numa espera,
(Sobretudo) por um grande amor.

E eu não sei se é o destino
Que nos separa aos dois,
Se tenho medo, se não tenho tempo
Ou se guardo tudo para depois;
Apenas sei que na minha vida
Ainda não nos encontramos os dois.

E tenho pena sabes?
Ainda me recordo quando sorria
Enquanto olhava aquela tua fotografia
E o meu coração dizia para mim:
Maria! Maria!

Ainda me lembrava daquela ansiedade
Daquela vaidade,
Daquelas noites em que não dormia,
E recordava, Maria,
Aquele dia em que nos conhecemos!

Foram tantos sonhos – Tolices!
Tantos desejos – Parvoíces!
Obsessão romântica que fazia
Ouvir na telefonia
Em cada música um nome: Maria.

Mas talvez tenha que ser assim!
Talvez sejas mais feliz sem mim!
E agora satisfeito com a decisão,
Posso anunciar a resolução do coração:
Fim!

P.S.:
Cá te espero.
Talvez um dia procures por mim.
Eu estarei aqui a esperar por ti.
Revela-te!

Escrito a 31/11/2006

Deambulando de Madrugada

Se há coisa que gosto na manhã é o Silêncio.
Se existe, existe na madrugada.
Durante o dia cala-se e deixa o ruído governar.
Depois manda-o deitar
E chega a sua vez de comandar.
Oh, e sabe tão bem!
Durante o dia há a ventania,
Ou a chuva da melancolia,
Há a televisão do vizinho
Com as historias de um desgraçadinho,
Há a rádio de um homem sozinho,
Geralmente Velhinho,
Acompanhada pelo chilrear de um passarinho.
Há o bafar de um cachimbo,
Ou a euforia do "bimbo" a festejar o golo da sua equipa.
Há a histérica "madame" com o seu género peculiar,
Ou a ex-peixeira que fala sempre a gritar.
Há carros, motas, táxis, camionetas e afins,
Há milhões de pessoas que não olham a meios para alcançar fins.
Há o eléctrico da Estrela,
Há o automóvel do sapateiro,
Há barulho. Há barulho!
Há barulho no mundo inteiro.
Há gente.
Gente que sente.
Gente que faz sentir.
E que como não sabem onde querem ir,
De madrugada preferem ficar a dormir.

(Escrito a 08/02/2007)

Talvez é o Mundo!

Talvez o mundo de hoje esta baralhado
Ou apenas eu esteja perdido.
Talvez as senhoras de hoje estejam doidas
Ou apenas o meu conservadorismo me cegue.

Talvez as coisas sejam demasiado rápidas
E eu demasiado lento.
Talvez o mundo ande de mais
E eu não o acompanhe.

Talvez amanhã ela diga sim.
Talvez amanhã ela diga não.
Talvez alguém me dê um sentido,
Talvez amanhã não chova.

E é nesta sucessão de "talvez"
Que agora se define o mundo.
Alguém me pode dar uma certeza?
Olha...ela disse que não.

Escrito a 24/09/2006

(Nota do Autor (conversa interpretativa do poema)
TB- «E é nesta sucessão de "talvez"/Que agora se define o mundo.»
Não é esta a minha experiência: no mundo e na vida há certezas!!
O tempo é sempre o mesmo, o sol nasce todos os dias, o dia tem sempre 24 horas. Um ano tem sempre 365 dias! A realidade tem uma ordem, que me é favorável, não é um talvez!

Autor - Hoje em dia há ovelhas? Há sim senhor! Na Vida, há Certezas? É obvio que há!
Pena é que não sejam para todods. Ou melhor:Elas para todos são. Mas nem todos a aceitam.
Eu, essas Certezas, posso ter, mas eu não faço o mundo. A Maioria não as tém!
Nem quer. Estão horrorisados de mais. Têm medo de mais. Não há certezas.Para a maioria é tudo talvez! E a mioria faz o tudo - o rótulo. Eu tenho muitas certezas,
mas o que está aqui escrito, é o cansaço deste mundo onde para qualquer um é tudo uma indefinição.Uma indefinição que irrita. Um incerteza que leva há loucura. Nada há de absoluto, pois há sempre alguém que não está deste lado.
Mesmo a evidência aqui é negada. E isto é triste e profundamente Irritante.

TB - é isso mesmo: "Mas eu não faço o mundo" e ainda bem, porque quem o faz, faz bem melhor do que eu...
"a incerteza leva à loucura" à pois leva... o homem para viver precisa da experiência da certeza!
"Mesmo a evidência aqui é negada. E isto é triste e profundamente Irritante." sem duvida: profundamente irritante e triste!!)

A Luz da Noite

A Luz da noite
É a mais propícia para sonhar.
É nela que sonho contigo,
Sentado na sombra do luar.

Curiosamente, é na noite
Onde corre a brisa e a escuridão,
Que mais sinto tudo,
Desde o cansaço, aos problemas do coração.

Não é o sono
Que me ocupa nestas horas.
É uma vida não vivida
Porque anseio sem demoras.

És tu, os meus sonhos,
Os meus medos e desejos
Que vibram ainda mais em mim
Nesta noite de confissões.
É o meu eu que aqui se revela,
Se mostra, tímido e receoso,
E cheio de ilusões.
Sou eu.

Escrito a 11/10/2006

Nas Aldeias Sós de Portugal!

Quem me dera ser pastor
E ter apenas ovelhas para guardar.
Não ter problemas
Nem de horas nem de amor,
Ter apenas ovelhas com que me preocupar.

Quem me dera ser pastor
Numa daquelas aldeias sozinhas.
Onde não houvesse ninguém
Que soubesse o que é a dor:
Nem pastores, nem ovelhas, nem vizinhas.

Se há tanto pastor infeliz
Que habita só numa aldeia de Portugal,
Porque raio, logo eu,
Que queria ser pastor solidão,
Teria que morar na capital?

Era tudo o que queria
E não pedia mais nada.
Pois sozinho eu não poderia
Nem amar nem sofrer,
Nem magoar nem perder,
Nem sequer viver.

Escrito a 3/10/2006

Carta à Persistência

Querida Persistência,

Não quero desperdiçar mais o meu dia.
Não quero perder mais tempo de vida.

Quero amar o meu Deus,
A realidade, tu e
A minha família.

Conseguirá o Homem viver sem Deus?
Não
Conseguirei eu viver sem ti?
Não!
Serás tu o meu Deus?
Talvez...
Ou pelo menos eu vejo-O em ti.

Ou podes ser um sinal?
Quem sabe um rosto?
Não queres ficar comigo para sempre?

É porque é um desperdício
Perder tempo com quem não nos ama.
Ou pelo menos quem não quer o nosso amor...

Ah! Faz um esforço! já estou farto!
Já não quero voltar a sair
Sem saber o que fazer,
E não viver
Intensamente o real.

Não me quero dispersar
Com o que não interessa,
Nem desperdiçar
A vida que me resta.

Salva-me!

Vá lá!
Só tu podes faze-lo!
"Fazes?"

Escrito a 01/12/2006

domingo, 10 de maio de 2009

P. G. Wodehouse

«Se uma rapariga pensa que tu a amas e vem de lá e diz que vai devolver o amado à providência e que já está preparada para assinar o contrato contigo, o que é que se pode fazer a não ser casar com ela? Há que ser cortês.» (Bertram Wooster, pag.38)

P. G. Wodehouse

«Queria começar por dizer, Bertie, que, desde que o primeiro ser humano saiu a rastejar das lamas primordiais e a vida começou neste planeta, nunca ninguém amou ninguém como eu amo a Gerturude Winkworth. Digo isto porque quero que compreendas que aquilo que estas a assistir não é um desses namoricos leves de Verão, é uma verdadeira paixão, digna de um Teatro Nacional. Eu amo-a!»
(Claude Pirbright, Pag.19)

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Obsessão

I've sorted it out
Like they say "you know...love burns
Like most good things do"
But then it's you
It's you on my window, it's you on hallway
It's you on the rearview mirror talking
It's you on the radio in all the songs we've been through


David Fonseca in Swim II

Peter, Paul & Mary - If I Had My Way



You read about Sampson, you read about his birth
He was the strongest man that ever lived on Earth.
One day old Sampson was walking alone
He looked down on the ground and he saw an old jaw-bone.
He lifted up that jaw-bone and he swung it over his head,
and when he got to moving ten thousand was dead.

If I had my way,
If I had my way in this wicked world,
If I had my way I would tear this building down.

Sampson and the lion got in attack
Sampson he crawled up on the lion's back
You read about this lion - he killed a man with his paw
Sampson he got his hands around the lion's jaw
and he ripped that beast till the lion was dead
and the bees made honey in the lion's head.

If I had my way,
If I had my way in this wicked world,
If I had my way I would tear this building down.

Delilah was a woman, she was fine and fair
She had lovely looks, God knows, and cold black hair
Delilah she climbed up on Sampson's knee
and said Tell me where your strength lies, if you please
She talked so fine, she talked so fair,
Sampson said Delilah, cut off my hair,
shave my head just as clean as your hand
and my strength will be like a natural man.

If I had my way,
If I had my way in this wicked world,
If I had my way I would tear this building down.
If I had my way,
If I had my way in this wicked world,
If I had my way I would tear this building down.

O que é sempre o Amor

Amor é fogo, paixão;
dor e obsessão;
É uma constante emoção;
É a certeza de se dar
sem se perder.

É tornar Deusa a mulher finita,
Ou apenas constatá-lo;
É assim que no silêncio meu
coração chora e grita;
E te apela, para abraçá-lo!

Tu, mulher que vais à frente,
segue o teu caminho sem embaraço.
Mas se puderes dar-me o braço,
ajuda-me-ias a subir ao teu passo
até à glória onde já vives.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Delírios de um Elefante

Era uma triste situação. Deixara de ser quem era, abdicara de si para tentar a sorte na aventura que era a conquista do coração dela. No entanto jogava contra o destino, e só agora reparara que tudo lhe estava a passar ao lado, tudo lhe fugia por entre os dedos. Ela, parecia infinitamente não lhe estar destinada mas, apesar de tudo, era com o nome dela que o seu peito batia.
Mas porquê partir agora? Logo agora que até pareciam dar-se bem. Porquê Jerusalém? Porquê tão longe? Porquê um ano?

No fundo a sua dor não era nova. Era a mesma que sentira anos antes. Há muito que sabia quem ela era. Lembrava-se dela desde um passado longínquo. A sua luz, o seu brilho, a sua cor, aquelas características que o impressionaram tanto e abalaram a sua realidade naquele primeiro momento históricamente situado, eram as mesmas com as quais sonhara ao longo do tempo, e as mesmas que o fizera rezar e esperar sem desesperar, por um qualquer encontro que fosse.

E agora, tudo isso o revoltava. Parecia de propósito para o magoar. Depois de tanta espera, de recordações constantes, sonhos assaltantes das noites escuras em que no seu quarto vivia, agora, quando via o sonho prestes a realizar-se, o oriente a aproximar-se, quando finalmente chegara a ela, via alguém, que não conhecia bem, e a quem não reconhecia competência para tal, estragar todo o seu sonho amoroso, e toda a possibilidade de quietude, levando-a para longe dele. E pior: ela até gostava da ideia.

Fitava a casa do poeta e perguntava-se como seriam as noites por entre aquelas quatro paredes. Páginas e páginas escritas, construções de babeis sem fim, amor pintado em folhas de papel de máquina por letras pretas; no fundo, o amor cantado por entre palavras silenciosas. Mas sofrera ele aquela dor? Todos os dramas, todas as tragédias, todo o sofrimento que trespassava daquelas letras... Teria alguma delas uma dor assim tão grande? Doer-lhe-ia assim tanto o coração?

Por momentos acreditara na solidão e tristeza eternas. Acreditou que poderia viver assim - sem ela.
Depois ela voltou. Sentou-se ao seu lado, e continuaram a conversar. Só o seu riso o fazia esquecer todo aquele problema que lhe corroía o coração e lhe impedia a razão. No fundo, ele até suportava a saudade que daí adviria, mas tinha a certeza que a perderia.

José Campos e Sousa - Identidade



O que diz Pátria mas não diz glória
Com um silêncio de cobardia,
E ardendo em chamas, chamou vitória,
Ao medo e à morte daquele dia

A esse eu quero negar-lhe a mão,
Negar-lhe o sangue da minha voz,
Que foi ferida pela traição
E teve o nome de todos nós

O que diz Pátria sem ter vergonha
E faz a guerra pela verdade
Que ama o futuro, constrói e sonha
Pão e poesia para a cidade

A esse eu quero chamar irmão
Sentir-lhe o ombro junto do meu
Ir a caminho de um coração
Que foi de todos e se perdeu

Autor do poema: António Manuel Couto Viana

domingo, 26 de abril de 2009

Vida Nova


Apartir de agora, aqui também se escreve!