sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Desabafos de Amor

Há dias como este, em que parece que fomos feitos para estar em qualquer outro lugar que não aquele onde estamos no presente. Sentimos falta de amigos e consequentemente de compreensão. Trabalhamos, esforçamos-nos, tentamos evitar o desalento na esperança de que a seguir é que vai ser.

Sentimos-nos pequenas casa de 2 andares no meio de arranha-céus. Casas de madeira no meio das florestas de betão. Somos diferentes. Melhores ou piores não sei, mas sentimos falta de uma casa, de um sitio onde possa dizer eu verdadeiramente, e onde me acolham.

Olho em redor e só vejo sombras. No meio delas está o teu rosto distraído. Quero-te e desejo-te mais do que a comida quer ao sal, mas tu não olhas para mim. Eu, casa de madeira no centro da cidade.

Porque me haverias tu de olhar? Por muito que os prédios que me rodeiam sejam de uma arquitectura horrorosa, o telhado tenha buracos, os vizinhos vendam droga, e as vizinhas bisbilhoteiras, tu abdicas deste espaço que eu contenho, e que satisfaz todas as tuas necessidades. Sim satisfaço as tuas necessidades, porque eu serei sempre aquilo que queres que seja. Porque se ficares comigo ficarei para sempre contigo, porque me darei a ti. A cozinha poderá ser no segundo piso, ou quem sabe no jardim. A casa de banho no telhado, e a sala no quarto. Faz de mim o que quiseres, porque no dia em que me escolheres, serei teu, porque o amor é isso mesmo: uma doação total de mim mesmo.

- Entristeço-me. Olho em roda e já não te vejo. Fugiste de mim? Tive culpa?

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